Histórias em quadrinhos de Briony May Smith

Esses dias, vendo as publicações na minha dashboard do Tumblr, tive o enorme prazer (e já, já vocês vão concordar comigo) de encontrar essa pequena história em quadrinhos baseada num conto de fadas da Cornualha:

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“Certa vez uma sereia ouviu uma adorável melodia vindo de uma igreja acima da costa.”

"Entrando na igreja ela pegou um hinário e começou a cantar. -Céus! -Que voz linda! -Venha querida, você deve cantar para todos nós"

“Entrando na igreja ela pegou um hinário e começou a cantar. -Céus! -Que voz linda! -Venha querida, você deve cantar para todos nós”

"-Que voz maravilhosa! Prometa que você virá cantar na próxima missa. -Eu prometo Ela voltou para o mar. [badaladas] No domingo seguinte uma grande tempestade caiu sobre terra e mar."

“-Que voz maravilhosa! Prometa que você virá cantar na próxima missa. -Eu prometo Ela voltou para o mar. [badaladas] No domingo seguinte uma grande tempestade caiu sobre terra e mar.”

"A sereia teve que esperar outra semana antes que fosse seguro retornar à costa. Quando a tempestade passou, ela retornou para o vilarejo. -Finalmente! [badaladas]"

“A sereia teve que esperar outra semana antes que fosse seguro retornar à costa. Quando a tempestade passou, ela retornou para o vilarejo. -Finalmente! [badaladas]”

"Mas eles estavam bravos por ela ter faltado à última missa. - Ridículo! -M-me desculpem -Você nos deixou esperando -Criança, não há desculpa para sua apatia. -Deixem-na, seja lá qual for a razão pelo menos ela está aqui agora. Ela voltou para o mar. Algum tempo depois ela viu um barco."

“Mas eles estavam bravos por ela ter faltado à última missa. – Ridículo! -M-me desculpem -Você nos deixou esperando -Criança, não há desculpa para sua apatia. -Deixem-na, seja lá qual for a razão pelo menos ela está aqui agora. Ela voltou para o mar. Algum tempo depois ela viu um barco.”

"Ela reconheceu o pescador como o homem que a defendera. A sereia usou sua magia do mar para recompensá-lo por sua gentileza. -Hã? Centenas de peixes pularam para dentro do barco e o pescador retornou pra casa com suas redes tão cheias que ele se tornou o homem mais rico do vilarejo. Fim"

“Ela reconheceu o pescador como o homem que a defendera. A sereia usou sua magia do mar para recompensá-lo por sua gentileza. -Hã? Centenas de peixes pularam para dentro do barco e o pescador retornou pra casa com suas redes tão cheias que ele se tornou o homem mais rico do vilarejo. Fim”

Sim, é um conto muito simples, mas também muitíssimo fofo. Assim que o terminei, fui atrás de mais informações sobre a ilustradora e autora, Briony May Smith, e fiquei feliz ao saber que ela é uma artista em ascensão. Tanto trabalho merece reconhecimento!

Briony ganhou os prêmios de Altamente Recomendada para o Prêmio Macmillan Children’s de 2013 e 2014 e foi finalista na Categoria Talento Emergente do British Comic Awards 2014. Ela mora em Berkshire, na Inglaterra, e se formou esse ano na Falmouth University, uma escola de Artes inglesa.

Pesquisando um pouquinho mais sobre ela, encontrei uma pequena entrevista dela ao site Comics&Cola, onde contou que ama o trabalho do Arthur Rackham, sobre quem a Alícia já falou aqui algumas vezes. Traduzi (naquelas, né? HAHA) um pedacinho da entrevista pra vocês:

Público alvo à parte, quais são as semelhanças e diferenças entre criar histórias em quadrinhos e livros infantis? Do que você gosta em cada um? Há algum em particular em que você se interessa em focar?

Livros infantis e histórias em quadrinhos são bastante parecidos pra mim. Os dois são jeitos de expressar a narrativa. Eu amaria ser capaz de focar nos dois, mas a parte que mais amo em contar histórias são os personagens. A razão pela qual me vicio em livros, filmes e em TV é assistir aos personagens por quem você se apaixona. A minha parte preferida em criar histórias é aprender tudo sobre os protagonistas antes de criar um pequeno mundo onde eles vivam. Livros infantis são tão agradáveis de escrever, de ter seus personagens pisando pela página e imaginá-los falando em vozes rabugentas ou sentenças guinchadas. Eu amo ilustrá-los porque é lindo ver as ilustrações junto ao texto, trazidas a vida conforme são lidas. Nos livros infantis, texto e imagem andam de mãos dadas.

Você tem um estilo folk lindo que transmuta bem com o tipo de histórias míticas que você conta: sobre sereias, goblins, etc. O que há nesse assunto que te agrada?

Fico feliz que meu estilo seja meio folk! Eu amo mitologia e folclore, há um certo ritmo nesses tipos de histórias. Em todo o mundo o folclore de diferentes países tem seus diferentes temas e criaturas recorrentes, e eu amo ler sobre todos eles. Eu realmente gosto do folclore inglês e da mitologia celta, metade da minha família vem da Irlanda, a outra é inglesa. Eu também amo contos folclóricos russos, mitologia grega e contos de fadas suecos. Eu amo artistas conhecidos por ilustrá-los, como Arthur Rackham e John Bauer. Às vezes, as lendas folclóricas são hilariantemente estranhas, nos mitos galeses sobre Mabinogi, Lleu só pode ser morto com uma lança, que leva um ano para se fazer, com ele com um pé sobre uma cabra e outro em uma banheira. E a mulher dele o convence a fazer isso.

Também vem de um amor de infância por histórias de fada e filmes da Disney. Eu ainda amo inventar histórias como meu irmão e minha irmã e eu amaria fazer brincadeiras, com criaturas de contos de fada, mas eles são um pouco mais informados sobre os padrões e temas recorrentes que as lendas têm. Eu acho que sempre vou amar goblins, sereias e fadas!

Ilustração para o "Falmouth Illustration’s ‘Book of Illustrated Quotes & Sayings" - a citação da página era "There sleeps Titania sometime of the night."

Ilustração para o “Falmouth Illustration’s ‘Book of Illustrated Quotes & Sayings” – a citação da página era “There sleeps Titania sometime of the night.”

Sobre explorar temas mais sérios para adultos, muitos contos de fadas/mitos às vezes tem conotações muito obscuras – isso é algo que te interessa em explorar mais dentro do gênero folclórico em que você desenha?

Apesar de haver muito simbolismo na mitologia, eu não tenho usado isso para procurar por temas mais obscuros! Eu acho interessante como florestas, figuras e paisagens representam muito mais do que a história implica. Estou mais ligada a um simbolismo mais generalizado, em minha história em quadrinhos ‘The Farmer’s Wife’ eu transformei a esposa em árvore, e a sereia em ‘Mermaid of Zennor’ é sobre sobrenatural vs. humanos. Eu acho que há uma forte conexão entre as mulheres e a natureza que é defendida nas lendas. As criaturas sobrenaturais são geralmente mulheres – selkies, sereias, ninfas, fadas, huldras, a ideia de ‘mãe natureza’. A conexão feminina com a paisagem e o conflito com o mundo humano são um dos temas mais comuns no folclore.”

Como vocês viram, a Briony também é tão apaixonada por contos de fada quanto nós somos! Não encontrei todas as suas histórias na íntegra pra ler, mas vou indicar The Courting of Fair Spring and Red-Nosed Frost, uma história em quadrinhos original baseada em dois personagens do folclore russo, sobre como eles se apaixonaram. Tem mais coisa no site e no Tumblr dela, vale muito a pena conferir!

Vejam e comentem se o trabalho dela é ou não é muito amor!

Emily

0 comment on Histórias em quadrinhos de Briony May Smith

  1. Alícia Cohim
    31/03/2015 at 06:13 (3 anos ago)

    Que coisa linda Emily! <3