O Sapateiro e Os Elfos, dos Irmãos Grimm

O Sapateiro e Os Elfos é um conto de Natal escrito pelos Irmãos Grimm e não há nada melhor que um conto assim aqui no blog para combinar com o nosso clima natalino de dezembro! Os contos de Natal geralmente apresentam em sua narrativa a dádiva do “fazer o bem” e dos “milagres de Natal”, é o famoso “É melhor dar do que receber” que sempre ouvimos desde criança.

“Era uma vez um sapateiro que era bastante trabalhador e muito honesto, no entanto não conseguia ganhar o suficiente para viver e, finalmente perdeu tudo o que possuía no mundo, com exceção de couro suficiente para fazer um par de sapatos.

Então, o sapateiro cortou o couro, deixando tudo preparado para o dia seguinte, pretendendo levantar-se logo pela manhãzinha e continuar o trabalho. A sua consciência estava clara e o seu coração leve apesar dos problemas; assim, foi pacificamente para a cama, deixando tudo ao cuidados dos Céus, e adormeceu rapidamente. Na manhã seguinte, após ter feito as suas orações, sentou-se e preparou-se para começar o trabalho quando, para grande surpresa sua, ali estavam os sapatos já feiros, em cima da mesa. O bom homem não sabia o que fazer ou pensar perante tão estranho acontecimento. Observou o trabalho feito e, não havia um único erro, tudo era tão puro e verdadeiro… era uma verdadeira obra de arte.

No mesmo dia apareceu um cliente, e os sapatos serviram-lhe tão bem que até pagou mais do que o preço pedido.. E o pobre sapateiro, com o dinheiro, comprou couro suficiente para fazer dois pares de sapatos. Ao anoitecer cortou o couro e foi para a cama cedo, de forma a puder levantar-se cedo e começar o trabalho logo pela madrugada. Mas foi-lhe poupado o trabalho, pois na manhã seguinte este já se encontrava pronto. Depressa vieram clientes, que lhe pagaram generosamente pelos sapatos, de forma que o sapateiro pôede comprar couro suficiente para quatro pares de sapatos. Mais uma vez preparou o material na noite anterior e encontrou os sapatos prontos na manhã seguinte, como anteriormente. E assim continuou durante algum tempo, o que estava preparado na noite anterior estava pronto ao amanhecer e o bom homem começou a prosperar, passando a ficar numa situação confortável.

Numa noite, perto do Natal, enquanto o sapateiro e a sua esposa se encontravam a conversar em frente ao lume, ele disse para ela, “Eu gostava de ficar acordado esta noite, e ver quem vem e faz o meu trabalho por mim”. A mulher gostou da ideia. Então, deixaram uma vela acessa e esconderam-se num canto do quarto, atrás de um cortinado, e observaram o que iria acontecer.

Logo que chegou a meia-noite, vieram dois pequenos anões nus e sentaram-se no banco do sapateiro e, começaram a brincar com os seus pequenos dedos, costurando e batendo a uma tal velocidade, que o sapateiro estava maravilhado e não conseguia tirar os olhos deles. E assim continuaram, até o trabalho estar completo, e os sapatos estarem prontos para uso, colocando-os em cima da mesa. Isto foi muito antes do amanhecer, e apressaram-se a sair tão depressa quanto o acender de uma luz.

No dia seguinte a mulher disse para o sapateiro, “Estas duas pequenas criaturas fizeram-nos ricos, nós deveríamos estar-lhes gratos e fazer-lhes uma boa mudança, se conseguirmos. Custa-me vê-los a andarem assim, e de facto não é muito decente, pois não têm nada sobre as costas para os proteger do frio. Vou-te dizer que mais, vou fazer-lhes uma camisa para cada um casaco, um colete e um par de calças, e tu fazes-lhes um pequeno par de sapatos.

O pensamento agradou muito ao sapateiro, e numa noite, quando todas as coisas já se encontravam prontas, eles colocaram-nas sobre a mesa, em vez do trabalho de couro como costumavam fazer e foram esconder-se, para ver o que os pequenos elfos faziam.

Chegaram por volta da meia-noite, dançando e fazendo cambalhotas, saltando ao redor da sala e depois foram-se sentar para fazer o seu trabalho, como de costume, mas quando as roupas estendidas em cima da mesa, para eles, os alegres elfos riram-se e gargalharam e pareceram deveras agradados.

Então, vestiram-se num piscar de olhos e dançaram e saltarm, tão alegremente quanto podiam, até que saíram, dançando, até ao jardim verde do exterior.

O bom casal nunca mais os viu, mas desde então tudo correu bem para eles enquanto viveram.”

(Fonte)

Me recordo muito da história desse conto, em especial da época em que eu ainda era criança. Tenho uma vaga lembrança de sempre assisti-lo numa versão em desenho animado nesses canais infantis na época do Natal! Espero que tenham gostado. 🙂

Alícia

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