As Doze Princesas Bailarinas, dos Grimm

Ilustração as Doze Princesas Bailarinas de Ruth Sanderson

Ruth Sanderson

Eu já conhecia esse conto através do filminho Barbie e as Doze Princesas Bailarinas, mas naquela época não fazia ideia de que existia um conto do qual o filme foi adaptado. Procurando saber, descobri que o conto é alemão e foi originalmente publicado pelos Irmãos Grimm em 1812.

Também há uma versão russa do Alexander Afanasyev que se chama “O Baile Secreto” (vou tentar achá-la para postar aqui também!).

“Era uma vez um rei que tinha doze filhas. Elas dormiam em doze leitos de um mesmo quarto e, quando iam para a cama, as portas eram fechadas e trancadas. Mas todas as manhãs encontravam seus sapatos completamente gastos como se houvessem dançado a noite toda. Entretanto, ninguém conseguia descobrir como isto acontecia, ou onde elas haviam estado.

O rei fez, então, saber em todo o reino que se alguém conseguisse descobrir o segredo e onde as princesas dançavam durante a noite, esta pessoa seria coroada rei depois de sua morte; mas quem tentasse e não obtivesse êxito, depois de três dias e três noites, seria condenado à morte.

Logo apareceu o filho de um rei. Ele foi bem recebido e ao anoitecer foi levado ao aposento ao lado do quarto onde as princesas se deitavam em seus doze leitos. Ali, ele deveria ficar sentado vigiando para descobrir onde elas iam dançar; e, para que não pudesse acontecer nada sem ele ouvir, a porta de seu aposento era deixada aberta. Mas o filho do rei logo caiu no sono e, ao despertar, pela manhã, descobriu que as princesas todas haviam estado dançando, pois as solas de seus sapatos estavam totalmente gastas. O mesmo aconteceu na segunda e terceira noites, e o rei ordenou que ele fosse decapitado. Depois dele, muitos outros vieram, mas todos tiveram a mesma sorte e perderam a vida da mesma maneira.

Aconteceu então, de passar pelo país onde reinava este soberano um velho soldado que havia sido ferido em batalha e já não podia lutar. Ao atravessar um bosque, ele encontrou uma velha que lhe perguntou aonde ele ia. “Mal sei para onde estou indo ou o que deveria fazer”, disse o soldado, “mas acho que gostaria muito de descobrir onde as princesas dançam e então, com o tempo, poderia ser rei.” “Bem”, disse a velha, “esta não é uma tarefa muito difícil: cuide apenas de não beber do vinho que uma das princesas vai lhe trazer à noite. E quando ela sair, finja cair rapidamente no sono.”

Ela entregou-lhe então um manto e disse, “Assim que vestir isto, ficará invisível e poderá seguir as princesas onde elas forem.” Ouvindo este bom conselho, o soldado resolveu tentar a sorte e, indo até o rei, disse-lhe que desejava empreender a tarefa.

Ele foi tão bem recebido quanto os outros, e o rei ordenou que lhe dessem lindas vestes reais. Quando anoiteceu, foi conduzido ao aposento externo. E justo quando ia se deitar, a princesa mais velha trouxe-lhe uma taça de vinho, mas o velho soldado derramou-o às escondidas tomando o cuidado de não beber uma gota sequer. Depois, ele deitou-se em seu leito e dentro em pouco começou a ressonar bem alto como se tivesse caído rapidamente no sono.

Quando as doze princesas ouviram isto, riram gostosamente, e a mais velha falou, “Este sujeito devia ter feito uma coisa mais sábia do que perder a vida desta maneira!”. Então, elas se levantaram, abriram suas gavetas e baús, tiraram todas suas roupas finas, vestiram-se saltitantes diante do espelho como se estivessem ansiosas para começar a dançar. A mais jovem disse, porém, “Não sei porque enquanto vocês estão tão felizes eu me sinto tão inquieta; estou certa de que algum infortúnio vai se abater sobre nós”. “Bobalhona”, disse a mais velha, “você está sempre com medo; já esqueceu quantos filhos de reis nos espionaram em vão? E quanto a este soldado, mesmo que não tivesse bebido o sonífero, ainda assim teria dormido profundamente.”

Quando todas se haviam aprontado, foram observar o soldado, mas este roncada e não mexia nem as mãos nem os pés, e assim elas se julgaram perfeitamente a salvo. A mais velha foi, então, até seu próprio leito e bateu palmas: o leito afundou no chão e abriu-se um alçapão. O soldado viu-as descer em fila pelo alçapão com a mais velha na frente, e pensando que não tinha tempo a perder, levantou-se de um salto, vestiu o manto que a velha lhe dera e as seguiu.

Mas no meio da escada, ele pisou no vestido da princesa mais nova que gritou para suas irmãs, “Tem alguma coisa errada; alguém agarrou meu vestido.” “Sua tolinha!”, disse a mais velha. “Não é nada; apenas um prego na parede.” Então, todas continuaram descendo e no fim da escada, encontraram-se no mais delicioso bosque cujas folhas eram todas prateadas, cintilando e faiscando maravilhosamente. O soldado quis tirar uma prova daquele lugar e quebrou um galhinho de árvore, produzindo um ruído muito forte. A filha mais nova repetiu, “Estou certa de que há alguma coisa errada; não ouviram um ruído? Isto nunca aconteceu antes”. A mais velha disse, porém, “São apenas nossos príncipes gritando de alegria com a nossa chegada”.

Elas chegaram, então, a um outro bosque onde todas as folhas eram de ouro; e depois, a um terceiro onde as folhas eram todas esplêndidos diamantes. E o soldado quebrou um galho de cada; e toda vez isto provocava um ruído que fazia a irmã mais nova estremecer de medo. Mas a mais velha continuava dizendo que eram apenas os príncipes gritando de alegria. Assim foram elas até chegarem a um grande lago; e à beira do lago havia doze barquinhos com doze lindos príncipes que pareciam estar esperando ali pelas princesas.

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Lidia Postma

Cada princesa foi para um barco e o soldado entrou no mesmo que a mais nova. Enquanto iam remando pelo lago, o príncipe que estava no barco com a princesa mais nova e o soldado disse, “Não sei por que, mas apesar de estar remando com todas as minhas forças, não vamos tão depressa como sempre, e estou muito cansado: o barco parece muito pesado hoje”. “É apenas o calor do tempo”, disse a princesa, “eu também estou muito acalorada.”

Do outro lado do lago havia um lindo castelo iluminado de onde surgia uma música alegre de trompas e clarins. E ali, todos desembarcaram e foram para o castelo. Cada príncipe dançou com sua princesa; e o soldado, que estava invisível o tempo todo, dançou com elas também. Quando alguma princesa recebia uma taça de vinho, ele o bebia todo, de modo que, quando uma princesa levava a taça aos lábios, ela estava vazia.

Também isto deixou a princesa mais nova terrivelmente assustada, mas a mais velha silenciou-a. Elas dançaram até as três horas da manhã e seus sapatos estavam inteiramente gastos, por isso foram obrigadas a partir. Os príncipes remaram atravessando-as para o outro lado do lago (mas desta vez o soldado acomodou-se no barco com a princesa mais velha) e na margem oposta eles se despediram. As princesas prometeram voltar na noite seguinte.

Quando chegaram à escada, o soldado correu na frente das princesas e deitou-se em seu quarto. E enquanto as doze irmãs subiam lentamente, por estarem muito cansadas, ouviram-no roncar em seu leito e pensaram, “Agora tudo está seguro”. Então elas se trocaram, guardaram as roupas finas, tiraram os sapatos e foram dormir. Na manhã seguinte, o soldado não disse nada sobre o que havia acontecido, mas decidiu ver mais daquela estranha aventura, e foi novamente na segunda e terceira noites. Tudo aconteceu exatamente da mesma maneira. Todas as vezes, as princesas dançavam até seus sapatos ficarem em pedaços e depois voltavam para casa. Na terceira noite, porém, o soldado trouxe consigo uma das taças douradas como prova de onde havia estado.

Quando chegou o momento de declarar o segredo, foi levado diante do rei com os três galhos e a taça dourada, e as doze princesas ficaram atrás da porta para escutar o que ele iria dizer. E quando o rei lhe perguntou, “Onde minhas doze filhas dançam à noite?”, ele respondeu, “Com doze príncipes num castelo subterrâneo”. E contou ao rei tudo que havia acontecido mostrando-lhe os três galhos e a taça de ouro que trouxera.

O rei mandou chamar as princesas e perguntou-lhes se o que o soldado contara era verdade. Quando elas perceberam que haviam sido descobertas, e que não valia a pena negar, confessaram tudo. O rei perguntou, então, ao soldado qual delas ele escolheria para sua esposa. E ele respondeu, “Já não sou muito novo, por isso ficarei com a mais velha”. E eles se casaram naquele mesmo dia, e o soldado foi escolhido para herdeiro do rei.”

As fotos usadas nesse post foram achadas no Pinterest. Se você souber o nome dos ilustradores, por favor, avise pelos comentários para colocarmos os devidos créditos.

Alícia

0 comment on As Doze Princesas Bailarinas, dos Grimm

  1. Lúcia Bischoff
    22/10/2014 at 01:25 (3 anos ago)

    A ilustradora das duas primeiras imagens é a Ruth Sanderson. Ela tem vários livros publicados e todos são lindíssimos, sou uma grande fã. O site oficial dela é: http://www.ruthsanderson.com | A última imagem é da Lidia Postma.

    • Alícia Cohim
      22/10/2014 at 08:33 (3 anos ago)

      Muito obrigada Lúcia 🙂

  2. Maria
    22/10/2014 at 13:26 (3 anos ago)

    O livro “Dança da Floresta” de Juliet Marillier é inspirado nesse conto, é um livro lindo!

    • Alícia Cohim
      22/10/2014 at 18:29 (3 anos ago)

      Já ouvi falar nesse livro e já tive muita vontade de ler, quem sabe um dia? Deve ser lindo! <3

  3. Nivea
    22/10/2014 at 16:23 (3 anos ago)

    Essa era simplesmente a minha preferida do Teatro de Contos de Fadas! Eu amava a história! Tinha no fim a lição, de que a bruxa para alguns pode ser a fada madrinha para outros, e revelava que a velha que deu a instrução de não beber nada que as princesas oferecessem e o manto pra ficar invisível, foi a mesma que deu o sonífero para as princesas enganarem os outros pretendentes…. (https://www.youtube.com/watch?v=EByua5sv5DI – Teatro de Contos de Fadas da história)

    E realmente busquem pelo conto russo, virei fã dos contos russos desde a Noiva Cadáver e o Sapatinho Dourado…

    • Alícia Cohim
      22/10/2014 at 18:30 (3 anos ago)

      Legal Nívea, obrigada pelo complemento! 😀

  4. Priscila Miranda
    22/10/2014 at 19:27 (3 anos ago)

    Nossa, adorei! Este conto tb vi no filme da Barbie, ao terminar de ler fiquei com um gostinho de quero mais…

    • Alícia Cohim
      23/10/2014 at 07:11 (3 anos ago)

      Que bom que gostou Priscila! <3

  5. Gabriela Nunes
    17/05/2015 at 17:53 (2 anos ago)

    Adorei!
    Eu só tinha assistido ao da Barbie mesmo…muito legal tbm..e se reparar a certas semelhanças… Poucas mais tem.
    Adoro os irmãos Grimm…muito interessante a história

  6. DANIEL
    09/01/2016 at 15:08 (2 anos ago)

    AMEI MUITO BOA A INFORMAÇ