Por Trás de Alice no País das Maravilhas

Alice LiddellMuitos não sabem, mas realmente existiu uma Alice cujo sobrenome era Liddell. A Alice de carne e osso era extremamente próxima a um homem que se chamava Charles Dodgson, futuramente conhecido como Lewis Carroll, que durante um passeio de barco pelo rio Tâmisa, imortalizou a pequena Alice numa das histórias mais famosas do mundo. A obra de Lewis Carroll consegue captar dois públicos em uma única história: o público infantil e o público adulto. Nada mais é que uma mistura de personagens reais de sua própria vida com as fantasias surreais do País das Maravilhas, resultando numa narrativa inteligente com elementos significativos que revelam a lógica do absurdo.

A grande paixão de Carroll sempre foi a matemática e, como um grande amante da lógica, encantava as crianças com jogos que ele mesmo inventava. A fotografia mal havia chegado naqueles tempos e Lewis já a tinha como hobby, fotografando diversas crianças. Chegou até a fotografar a própria Alice em trajes de cigana (foto acima).

la-et-jc-lewis-carroll-i-almost-wish-i-had-nev-001Lewis Carroll nunca casou-se e era uma figura um tanto estranha: media 1,83 e era sempre descrito como um homem com feições assimétricas. Para completar, devido a uma forte febre na infância, Carroll também era surdo de um ouvido. Afirmava-se que ele também era gago apenas na presença de adultos, enquanto que na presença de crianças ele falava livremente. Apesar disso tudo, o tímido Lewis Carroll era extremamente inteligente e, além de seu interesse por matemática e fotografia, também era um grande interessado em filosofia. (foto ao lado)

Alice Liddell conheceu Lewis Carroll quando tinha apenas três anos de idade e estima-se que eles começaram a perder o contato no final da escrita de Alice no País das Maravilhas. Houve também uma proibição por parte do pai de Alice a respeito da amizade entre ela e Lewis a partir do momento em que Alice começou a ficar mais velha e os rumores quanto a amizade dos dois começaram a crescer. Há quem diga que ela e o filho mais novo da Rainha Vitória, Leopoldo, tenham se apaixonado, mas Alice não chegou a casar-se com ele, muito embora o nome de seu primeiro filho tenha sido Leopoldo e o nome da primeira filha de Leopoldo tenha sido Alice. A jovem casou-se então com um homem chamado Reginald, com quem teve três filhos.

Seja tanto no tempo em que viveu quanto nos dias de hoje, muitas pessoas afirmaram e ainda afirmam que Lewis Carroll era pedófilo. Acho que a teoria que mais próximo chegou do que eu penso que tenha acontecido de verdade na vida dos dois encontra-se no livro Eu Sou Alice, de Melanie Benjamin. Trata-se de um romance biográfico extremamente embasado (e lindo) que conta, misturando realidade e ficção, como surgiu a nossa tão conhecida Alice.

Existe muito material, tal como livros e filmes, e também muitas suposições a respeito do mundo fantástico de Alice no País das Maravilhas por aí. O “por trás dos bastidores” de Alice no País das Maravilhas engloba um verdadeiro universo que tem tantos fatos curiosos quanto a própria história em si!

Abaixo você confere uma galeria com as ilustrações do John Tenniel para Alice no País das Maravilhas:

Alícia

0 comment on Por Trás de Alice no País das Maravilhas

  1. Nivea
    17/09/2014 at 16:20 (3 anos ago)

    Há quem diga que o livro de Alice, especialmente dentro do País das Maravilhas, seja fruto do devaneio do uso de drogas comuns na época como o ópio (a lagarta é um belo exemplo disso), eu também vejo uma crítica à sociedade inglesa da época, e a corte inclusive, em que são vistos como loucos e amarrados demais àquelas regras infinitas de etiqueta.
    A Alice nada mais é que a transição entre a criança livre que pode ter imaginação e criar qualquer coisa e a jovem adulta que precisa se adequar às regras, às roupas, à mentalidade e principalmente ao casamento.
    Embora sejam autores diferentes, eu ainda consigo traçar um paralelo com Peter Pan. O comportamento de Lewis Carroll é muito Peter Pan, baseado na descrição que você fizeram no post. Os dois livros são infantis e adultos ao mesmo tempo, se passam no mesmo período na Inglaterra (fim do sec XIX; começo do sec XX), a existência de um mundo alternativo mágico que devolve a liberdade criativa dos que vão para lá. É como se fosso um com a ótica feminina e outro com a ótica masculina.
    Quanto a pedofilia do Lewis, não sei dizer, mas acho que poderia ter sido gay. Ser estranho e tímido naquela época na Inglaterra, a homossexualidade era muito comum em pessoas com essa descrição, principalmente porque era crime, lá naquela época, relações homossexuais. A tentativa de reprimir fazia os gays se tornarem ‘estranhos e tímidos’.

    Nossa, falei muito… chega!

  2. Sra Michaelis
    05/09/2015 at 19:36 (2 anos ago)

    Na verdade, eu já tinha adotado essa “teoria” de que Lewis era pedófilo já ha muito tempo e francamente… acredito nela, porém, isso só me faz ter ainda mais fascínio por Alice no País das Maravilhas, gosto do fato de haver algo por trás da história, do que certas coisas podem realmente significar, de modo que se caso não se tenha tal malicia não consiga entender.
    Mas não sabia que a Alice realmente existiu, que incrível, e que teve um suposto romance com o filho mais novo da Rainha Victória, apesar de não gostar muito dela, me interesso por tudo que tenha alguma coisa a ver com ela ou com a Inglaterra, pois amo tudo que venha de lá.
    Foi muito gratificante saber de tudo isso!
    Beijos e abraços, Sra. Michaelis.