A Princesa Sapo, de Italo Calvino

The Frog Princess (também conhecido como The Prince Who Married a Frog ou Tsarevna Frog) é um conto de origem russa, porém com inúmeras versões em diversos países.

Não se sabe ao certo quem é o seu autor, porém o conto foi contado e recontado por muita gente. Alexander Afanasyev (já postamos um conto dele aqui), por exemplo, coletou diversas variantes do conto em seu Russian Fairy Tales; Andrew Lang (que também já foi mencionado aqui no blog) incluiu a sua versão italiana, intitulada The Frog, no seu The Violet Fairy Book; também existe uma variação grega, do Georgios A. Megas, chamada The Enchanted Lake, e que foi incluída no Folktales of Greece.

Além de todos eles, o Italo Calvino, grande escritor e jornalista do século XX, também fez a parte dele, incluindo uma nova versão italiana no Italian Folktales, e é essa versão que vamos postar hoje. Espero que gostem!

“Havia, certa vez, um rei que tinha três filhos em idade de casar. A fim de evitar qualquer controvérsia sobre a escolha das três noivas, ele deu uma flecha para cada filho e disse: “Atire-a o mais longe que puder com o arco. No lugar onde a flecha cair, você encontrará a sua esposa.”

Os três filhos, então, pegaram seus arcos e atiraram suas flechas. O menino mais velho atirou sua flecha e ela voou em direção ao telhado de uma padaria, então ele ficou com a filha do padeiro. O segundo menino lançou sua flecha, que caiu sobre a casa de um tecelão, portanto ele ficou com a filha do tecelão. A flecha do filho mais novo, porém, caiu em uma vala.

Ilustração de Ivan Bilibin

Imediatamente após os tiros, cada menino correu para sua noiva com um anel. O irmão mais velho foi recebido por uma linda donzela tão fresca quanto um bolo recém-assado, o irmão do meio por uma menina com pele e cabelos sedosos, enquanto o mais jovem, depois de olhar e olhar, não viu nada na vala além de uma sapa.

Eles foram até o rei para contar-lhe de suas noivas. “Agora”, disse o rei, “aquele que tiver a melhor esposa herdará o reino. Aqui começam os testes.” Ele deu a cada um dos filhos uma fibra a ser fiada e devolvida no prazo de três dias, para assim ver qual era a noiva que melhor tecia.

Os filhos foram até suas noivas e pediram que elas fiassem o seu melhor. Muito embaraçado, o mais jovem levou a fibra até a vala e chamou:

“Sapa, sapa!”

“Quem chama?”

“Seu amor que não te ama.”

“Se você não me ama, não me importa. Você irá, quando uma bela imagem eu for.”

Ilustração de Ivan BilibinA sapa pulou para fora da vala e caiu em uma folha. O filho do rei deu-lhe a fibra, dizendo que a fiasse até em até três dias.

Após três dias, os filhos mais velhos foram, ansiosamente, até a filha do padeiro e a moça tecelã para pegar suas fibras fiadas. A filha do padeiro produziu uma bela peça e a tecelã, que era uma especialista nesse tipo de coisa, produziu algo que mais parecia uma seda. Mas, e por onde andava a do filho caçula? Ele foi para a vala e chamou:

“Sapa, sapa!”

“Quem chama?”

“Seu amor que não te ama.”

“Se você não me ama, não me importa. Você irá, quando uma bela imagem eu for.”

Ela pulou em uma folha segurando uma noz em sua boca. Ele estava um pouco envergonhado de dar a seu pai uma noz, enquanto seus irmãos lhe deram a mais bela fibra fiada. No entanto, tomou coragem e apresentou-se ao rei com a noz. O rei, que já havia examinado a obra da filha do padeiro e da menina tecelã, abriu a noz, enquanto os irmãos mais velhos olhavam, rindo. De dentro da pequena casca, saiu um pano tão fino como gaze, que continuou a desenrolar até que a sala do trono ficou coberta com ele. “Mas não há fim para este pano!” , exclamou o rei. Mal as palavras saíram da sua boca e o pano chegou ao fim.

Mas o pai recusou-se a aceitar a ideia de uma sapa se tornar uma rainha. Sua cadela de caça favorita tinha acabado de ter três filhotinhos, então ele deu um para cada filho. “Levem-os para suas noivas e retornem com eles em um mês. Aquela que der o melhor atendimento ao filhote se tornará a rainha.”

Um mês depois, o cachorro da filha do padeiro tinha se transformado em um grande e gordo mastiff que teve todo o pão que ele pudesse comer. O cachorro da tecelã, não tão bem provida de bens, era agora um vira-latas faminto. O filho mais novo chegou então com uma pequena caixa. O rei abriu-a e dela saltou uma pequena poodle adornada de muitos laços, impecavelmente arrumada e perfumada, que ficava sobre as patas traseiras e marchava.

“Sem dúvida nenhuma,” disse o rei, “meu caçula será rei, e a sapa será rainha.”

O casamento dos três irmãos foi marcado para o mesmo dia. Os irmãos mais velhos foram buscar suas noivas em carruagens cheias de guirlandas e guiadas por quatro cavalos, e as noivas subiram, enfeitadas com penas e jóias.

O menino mais novo foi para a vala, onde a sapa o aguardava em uma carruagem feita a partir de uma folha de figueira e puxada por quatro caracóis. E assim eles partiram. Ele caminhou à frente, enquanto os caracóis o seguiam, puxando a folha de figueira com a sapa em cima dele. De vez em quando, ele parava para eles conseguirem alcançá-lo, e uma hora ele acabou adormecendo. Quando ele acordou, uma carruagem de ouro havia surgido ao lado dele. Era puxada por dois cavalos brancos e, no interior estofado de veludo, descansava uma donzela tão deslumbrante quanto o sol e vestida com um vestido verde-esmeralda.

“Quem é você?”, perguntou o garoto.

“Eu sou a sapa.”

Ele não conseguia acreditar, então a moça abriu uma caixinha de joia que continha a folha de figueira, a pele de sapo, e quatro conchinhas de caracol. “Eu era uma princesa transformada em sapo e a única chance que eu tinha de conseguir retornar à minha forma humana era se algum dia o filho de um rei concordasse em se casar comigo do jeito que eu era.”

O rei ficou muito feliz e disse a seus dois filhos mais velhos, que foram consumidos com inveja, que quem tinha escolhido a mulher errada era indigno da coroa. Assim, o filho mais novo e sua esposa tornaram-se rei e rainha.”

Tradução feita por mim (com uma ajudinha do Google, óbvio), não julguem. Besos!

Laís

Comments are closed.