A Vassoura Encantada, de Chris Van Allsburg – Parte II

Aqui segue a continuação de A Vassoura Encantada.

A parte I pode ser lida aqui.


Parte II

“O senhor Spivey, a cara vermelha de raiva, voltou correndo para casa.

Logo apareceram vizinhos mais distantes para ver a tal da vassoura na fazenda da viúva. Os homens que a observaram pareciam concordar que a vassoura provavelmente era uma coisa do mal. Mas as esposas diziam que a vassoura ajudava muito a viúva e tocava piano muito bem, mesmo que só pudesse tocar uma nota de cada vez. Ninguém se assustava tanto quanto o senhor Spivey:

– A vassoura é do demônio, a vassoura é perigosa – ele dizia a todos que o quisessem ouvir. – Nós vamos nos arrepender de deixar que essa coisa fique no meio de nós.

A cada dia que passava, a vassoura parecia mais inocente e trabalhadeira. Embora tivesse aprendido como executar muitas tarefas, varrer era o que mais gostava de fazer. Afinal, era uma vassoura. Vez ou outra, quando não restava mais nada o que limpar na casa da viúva, ela ia até a estrada que separava a fazenda de Minna Shaw e a dos Spivey. A estrada era de terra, naturalmente, e a vassoura passava horas divertindo-se em varrê-la.

Certa tarde, dois dos meninos da família Spivey e seu cachorro foram caminhando até o lugar em que a vassoura estava feliz varrendo a estrada. Quando viram o que ela estava fazendo, chutaram de volta as pedrinhas que ela tinha varrido para fora do caminho. A vassoura os ignorou e foi varrer outro trecho da estrada.

Mas os meninos não queriam deixá-la em paz.

Passaram a xingar a vassoura e, como ela continuava a ignorá-los, cada garoto pegou um pau e começou a cutucá-la. Até que a vassoura parou de varrer, virou-se para os dois e bateu com o cabo na cabeça deles com tanta força que ambos caíram chorando no chão. Depois afastou-se, mas o cachorro dos garotos a perseguiu latindo e mordendo seus fios.

– Pega a vassoura! – gritaram os meninos.

O cachorrinho saltou em pleno ar e mordeu o cabo da vassoura. Mas não conseguiu segurá-lo por muito tempo.

vassoura3Naquela noite, o senhor Spivey foi de carroça até a casa da viúva. Ele não estava sozinho. Três homens das fazendas vizinhas o acompanhavam, levando uma estaca de madeira e uma corda.

O senhor Spivey bateu na porta feito um louco. Quando a viúva a abriu, ficou assustada.

– Viemos pegar a vassoura! – disse-lhe o vizinho. – A vassoura bateu nos meus filhos e fez coisa bem pior com meu cachorro. Ninguém consegue encontrar o pobre animal!

A viúva olhou bem para a cara dos homens e percebeu que eles não iriam embora sem levar sua vassoura. Não havia nada que ela pudesse fazer para detê-los. Ficou parada, silenciosa, e depois respondeu:

– É claro que vocês estão certos. Se a vassoura fez todas essas coisas, é melhor nos livrarmos dela.

Levou os homens até a cozinha.

– É lá que ela dorme – disse baixinho apontando para o armário. – Se vocês não fizerem barulho, ela não acorda.

Os homens sabiam que a vassoura era forte, e torceram para que a viúva tivesse razão.

Abriram a porta do armário surpreendendo a vassoura adormecida. Um dos fazendeiros a retirou de lá e cuidadosamente a segurou contra a estaca enquanto os outros a amarravam com muitos metros de corda.

Levaram a vassoura para fora, afundaram a estaca no chão e a cercaram de feno. O senhor Spivey ateou fogo. Num minuto, as chamas transformaram a vassoura em cinzas.

A vida logo voltou ao normal na fazenda da viúva. Os Spivey até encontraram seu cão, saudável, mas faminto, preso nos ramos de uma grande árvore.

vassoura1Então, certa manhã Minna Shaw reuniu os vizinhos para transmitir-lhes uma terrível notícia. Ela havia visto o fantasma da vassoura. Era branco feito neve e deslizava à noite pela floresta carregando um machado. O senhor Spivey não acreditou nela. Mas, naquela noite de lua cheia, espiou pela janela e viu o fantasma branco da vassoura sair da floresta e lentamente rodear sua casa. Na noite seguinte, o fantasma voltou, aproximou-se mais ainda da casa, e na terceira noite retornou, batendo levemente na porta dos Spivey com o machado.

Quando o sol nasceu, o senhor e a senhora Spivey reuniram seus pertences, seus oito filhos e amontoaram tudo dentro de uma carroça. O senhor Spivey tentou convencer a viúva a partir com eles, mas ela preferiu continuar morando em sua fazendinha. Ao acenar um adeus aos seus vizinhos, Minna ainda pôde ouvir do senhor Spivey, já na estrada:

– Você é uma mulher de coragem!

Naquela noite a viúva adormeceu em sua cadeira, ao lado da lareira. Ela tinha ouvido música, melodias simples tocadas no piano, nota por nota.

Uma suave batidinha no ombro a despertou.

Minna Shaw levantou os olhos e sorriu para a vassoura, que não era fantasma coisa nenhuma, mas ainda estava coberta pela camada de tinta branca que lhe havia aplicado.

– Você toca tão bem… – comentou.

A vassoura curvou-se, colocou uma tora de lenha na lareira e tocou outra melodia no piano.

Fim.”

Alícia

0 comment on A Vassoura Encantada, de Chris Van Allsburg – Parte II

  1. Endely
    16/05/2013 at 22:02 (4 anos ago)

    esta estoria e muito bonita e muito legal e muito divertida e muito bonita longa ………

  2. Nivea
    04/08/2014 at 15:47 (3 anos ago)

    virou sonho de consumo agora, que minhas vassouras e rodos, façam sozinhos o trabalho de casa… ia amar!

  3. Luan Belmont
    11/08/2014 at 21:33 (3 anos ago)

    Eu li essa historia quando pequeno e finalmente pude ler ela novamente

    • Laís Sperandei
      11/08/2014 at 21:34 (3 anos ago)

      Ah! Que lindo isso, Luan! Ficamos muito felizes mesmo. Um abraço.