A Vassoura Encantada, de Chris Van Allsburg – Parte I

Nascido em 18 de junho de 1949, Chris Van Allsburg foi o autor e ilustrador de inúmeros livros infantis, que abordam acontecimentos fantásticos, mas, ao contrário do que se vê na literatura infantil em geral, ele acabou criando coisas mais adultas e misteriosas, não apenas historias bobinhas. Dentre os seus livros, Jumanji, Zathura e O Expresso Polar são os mais conhecidos e, também, os únicos a terem adaptações cinematográficas.

A Vassoura Encantada foi um livro que li há muito tempo na biblioteca da escola; desde então, me apaixonei pelas suas ilustrações e a história em si. Decidi compartilhar com vocês, mas como ficaria muito longo para um post só, decidi dividir a história em duas partes.


Parte I

“Vassouras de bruxas não dura para sempre. Vão envelhecendo com o tempo e, um dia, mesmo as melhores vassouras perdem o poder de voar.

Felizmente, isso não acontece de uma hora para outra. Uma bruxa pode sentir que a força de sua vassoura está aos poucos diminuindo. Os arranques de energia que antes a levavam rapidamente pelos céus tornam-se fracos. As corridas são cada vez mais longas para lhe dar impulso e alçar vôo. Vassouras ultra velozes que na juventude voavam mais rápido que gaviões começam a ser ultrapassadas pelo lento vôo dos gansos. Quando essas coisas acontecem, a bruxa percebe que chegou a hora de deixar de lado sua velha vassoura e mandar fazer uma nova.

vassouraMas, às vezes, uma vassoura pode perder inesperadamente o poder de voar e despencar lá de cima com bruxa e tudo… E foi exatamente isso o que aconteceu numa fria noite de outono muitos anos atrás.

Do alto do céu enluarado caiu rodopiando em direção ao solo uma figura vestida de negro. A bruxa e sua velha vassoura aterrissaram em uma pequena fazenda, ao lado de uma casa toda branca onde morava sozinha uma viúva chamada Minna Shaw.

Ao raiar do dia, a viúva encontrou a bruxa caída no meio de sua horta. Ela estava arranhada, ensangüentada e não conseguia levantar-se sozinha. Minna Shaw era uma mulher muito bondosa, por isso, apesar de estar com medo, levou a bruxa até sua casa e fez com que ela se deitasse.

A bruxa pediu a Minna Shaw que fechasse as cortinas, enrolou-se em sua capa negra e adormeceu profundamente. Lá ficou, completamente imóvel, durante horas e horas. À meia-noite, quando por fim despertou, seus ferimentos haviam desaparecido.

A bruxa levantou-se da cama e caminhou silenciosamente pela casa da viúva. Minna Shaw dormia sentada numa cadeira ao lado da lareira, onde do fogo já apagado restavam brasas incandescentes. A bruxa ajoelhou-se e apanhou uma brasa com a mão.

Do lado de fora da casa, fez uma fogueira com folhas e galhos, depois arrancou um fio de seus cabelos e o atirou às chamas. A fogueira sibilou e o fogo aumentou, produzindo uma luz azulada e brilhante.

Logo a bruxa avistou uma silhueta negra voando sobre ela. Era outra bruxa, que fez um lento círculo no ar e aterrissou ao lado da fogueira. As duas mulheres conversaram um pouco, e a primeira gesticulava apontando em direção à horta onde tinha caído sua velha vassoura. Então as duas montaram lado a lado na vassoura da segunda bruxa e saíram voando em direção ao céu.

Quando Minna Shaw despertou, não ficou surpresa ao descobrir que sua convidada havia partido. Sabia que as bruxas têm poderes sobrenaturais.

Também não se surpreendeu ao ver que a velha vassoura fora abandonada em sua casa. Logo a viúva adivinhou que ela deveria ter perdido os poderes mágicos. Com certeza agora não passava de uma vassoura comum, igualzinha à sua de varrer a cozinha.  A viúva começou a usá-la para varrer em torno da casa e percebeu que não era nem um pouco das vassouras que tinha usado antes.

Certa manhã, Minna Shaw ainda estava na cama quando ouviu um ruído na cozinha. Deu uma olhada e viu uma coisa que lhe deu um susto terrível, Lá estava a vassoura, varrendo o chão sozinha. A vassoura parou de varrer, virou-se em direção à viúva e depois voltou a trabalhar.

Primeiro, Minna ficou amedrontada. Mas a vassoura parecia inofensiva e, além disso, fazia o serviço muito bem. O único problema é que não parava de varrer um só instante.

À noite, para ter um pouco de sossego, a viúva trancou a vassoura no armário, mas ela ficou batendo na porta sem parar. Mais de uma hora depois, Minna sentiu-se culpada e deixou-a sair. Deitada, enquanto ouvia o ruído da vassoura varrendo todos os cômodos sem parar, a viúva ficou imaginando se ela seria capaz de aprender outras coisas.

Pela manhã, Minna levou a vassoura para fora de casa e descobriu que ela aprendia tudo rapidamente. Era só mostrar, uma única vez, como se fazia a tarefa, e a vassoura já a imitava.  Num minuto, aprendeu a cortar lenha, carregar o balde d’água, alimentar as galinhas e levar as vacas para o pasto. Aprendeu até a tirar umas notas do piano.

vassoura2

Mal se passara uma semana e os vizinhos da viúva, os Spivey, descobriram a história da vassoura. Sua fazenda ficava na mesma estrada e eles eram os únicos vizinhos da redondeza. O primeiro a ver a vassoura foi um dos oito filhos da família. Quando o garoto contou ao pai o que viu, o senhor Spivey correu direto para a casa da viúva.

– É verdade? – perguntou. – A senhora tem mesmo uma vassoura encantada?

– Tenho, sim – respondeu Minna Shaw – É ótima!

Contou tudo ao seu vizinho e também falou da bruxa que a deixara lá. Depois o levou até o fundo da casa onde a vassoura estava ocupada cortando lenha.

O senhor Spivey ficou horrorizado.

– Esta vassoura é danada – disse. – Isso é coisa do demônio!

A vassoura parou de trabalhar e, com o machado preso na ponta do cabo virou-se para a viúva e seu vizinho.”

Alícia

0 comment on A Vassoura Encantada, de Chris Van Allsburg – Parte I

  1. Emily Libanio
    26/12/2012 at 21:04 (5 anos ago)

    Apaixonadíssima pela história, quero mais