A Pequena Sereia, de Hans C. Andersen

Little Mermaid, de Helen StrattonO conto original da Pequena Sereia certamente não é como a história da Disney que conhecemos, havendo em comum apenas a base. Na história de Andersen, de 1848, a Sereia sofre de amores por um jovem príncipe, a quem ela salva de um naufrágio. Depois disso, angustiada por não poder ter mais contato com ele, ela pede ajuda a feiticeira do mar, a fim de trocar sua cauda de peixe por pernas humanas. Até aí, tudo okay. Mas as consequências são, no mínimo, bizarras – uma das coisas que a Disney não nos mostrou:

“…Sua cauda, então, se dividirá em duas e encolherá para se transformar naquilo que os seres humanos chamam de “belas pernas”. Mas vai doer. Você sentirá como se uma espada afiada a cortasse. Todos que a virem dirão que você é a mais bela humana que já encontraram. Manterá seus movimentos graciosos, nenhuma dançarina jamais deslizará tão suavemente, mas cada passo que der a fará sentir como se estivesse pisando em uma faca afiada, o bastante para fazer sangrar seus pés. Se estiver disposta a suportar tudo isso, posso ajudá-la. Mas, uma vez tomada a forma de um ser humano, nunca mais voltará a ser uma sereia. Você não será capaz de descer nadando ao encontro do palácio de seu pai e de suas irmãs. A única maneira de conseguir uma alma imortal é conquistando o amor do príncipe e fazer com que ele esqueça o pai e a mãe por amor a você. Ele deve tê-la sempre em seus pensamentos e permitir que o padre una suas mãos para que se tornem marido e mulher. Se o príncipe se casar com outra pessoa, na manhã seguinte seu coração se quebrará e você se tornará espuma na crista das ondas.”

“Mas terá que me recompensar – disse a feiticeira. – Você não receberá minha ajuda sem nada em troca. Você tem a mais formidável voz entre todos os que aqui habitam no fundo do mar. Provavelmente pensa que encantará o príncipe com ela, mas terá que dá-la para mim. Vou lhe exigir o que possui de melhor como pagamento por minha poção. […] Estire sua língua e deixe-me cortá-la fora como pagamento. Depois receberá sua poderosa poção.”

helen stratton


“…E a Pequena Sereia ergueu seus belos braços brancos, ficou na ponta dos pés e deslizou pelo piso, dançando como ninguém dançara antes. A cada passo, parecia mais e mais formosa e seus olhos atraiam mais profundamente que o canto das moças escravas. […] Ela continuou dançando, apesar da sensação de estar pisando em facas afiadas cada vez que seu pé tocava o solo.”

Depois de encontrar o príncipe, eles finalmente começam a ter um “relacionamento”. Mas, no fim, tudo acaba sendo diferente do que pensamos. Enfim, não quero estragar a surpresa de ninguém. Quero que leiam o conto e depois comentem, dizendo o que acharam dele e que sentimentos ele lhes trouxe. As ilustrações que eu escolhi pra pôr nesse post são do livro em que o conto se encontra, feitas pela talentosa Helen Stratton.

Não pude postar um link para download do conto aqui no FTale, porque o texto que existe no Scribd é bloqueado, não podendo ser copiado, nem fazer download por quem não é membro Premium. Mas, mesmo assim, todos podem ler online, sem problemas.

Agradeço a Sarah Lima que, ao pedir pra postar esse conto, só reforçou a minha vontade de fazer isso.

Aproveitem e tenham um bom começo de semana.

A Pequena Sereia, de Hans Christian Andersen, via Scribd

Laís

0 comment on A Pequena Sereia, de Hans C. Andersen

  1. gabi
    17/12/2012 at 11:55 (5 anos ago)

    Fiquei triste pela Pequena Sereia e fiquei com uma sincera vontade de que ela não entregasse a voz de forma nenhuma pra bruxa porque, ora, como foi ingrato esse príncipe, afinal. A vontade é de que ela se desencante pelo príncipe antes de decidir por procurar a feiticeira :'(. Mas nem tudo é como a Disney quer e fiquei com uma pontada de dor pela forma como ela decidiu renunciar..
    Adorei demais ler esta versão e estou sempre encantada com tudo o que vocês compartilham aqui <3 <3
    Realmente, um conto muito adorado!
    Obrigada!

  2. Nivea
    25/07/2014 at 17:35 (3 anos ago)

    Nossa, lindo e triste ao mesmo tempo… dá pra entender porque a Disney jamais produziria um filme a risca… e por ter direito sobre o título, provavelmente nunca poderão produzir um filme assim, pelo menos não com esse nome…
    No fim o Hans nos dá a ideia de que os seres mitológicos, que vocês postam por aqui, são interligados… disso eu gostei…

    • Laís Sperandei
      25/07/2014 at 18:08 (3 anos ago)

      Sim! E olha que isso de ter direitos sobre contos eu acho ridículo, sendo que deveriam ser tipo um patrimônio cultural. Quero dizer, não é como se tivesse sido a Disney a produzir a história, né… Mas Nivea, tu chegou a ver o Rusalochka? A gente postou ele aqui, já! É bem mais fiel que o desenho. 🙂

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